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Quando o Banco Deve Pagar por Golpes e Fraudes: Seus Direitos Como Cliente

  • Foto do escritor: Dr. Pedro Roberto Donel Filho
    Dr. Pedro Roberto Donel Filho
  • 12 de out. de 2025
  • 4 min de leitura
Ilustração mostrando um banco e um celular, representando a responsabilidade do banco sobre golpes aos seus clientes.

Você sabia que quando criminosos roubam dinheiro da sua conta bancária, na maioria das vezes é o banco que deve devolver o valor? Muitas pessoas não conhecem esse direito e acabam perdendo suas economias sem buscar a reparação devida. Este artigo explica de forma simples quando e como você pode responsabilizar o banco por fraudes.



Um Caso Real que Choca

Imagine a situação: um senhor de 66 anos, aposentado, cliente de um grande banco há muitos anos, viu mais de R$ 260 mil desaparecerem de sua conta em apenas dois dias. Tudo começou quando ele clicou em uma página falsa no Facebook que vendia carros. A partir daí, os criminosos conseguiram acesso à sua conta e fizeram uma verdadeira "limpeza": contrataram empréstimos, resgataram todos os investimentos dele e fizeram várias transferências para contas de outras pessoas.

 

O mais revoltante é que o banco não percebeu nada de estranho. Um aposentado que normalmente só recebia sua aposentadoria e pagava algumas contas, de repente estava fazendo transferências de R$ 100 mil, R$ 80 mil, contratando empréstimos e mexendo em investimentos - tudo isso em questão de horas. Qualquer sistema de segurança deveria ter bloqueado essas operações suspeitas, mas isso não aconteceu.

 

Por Que o Banco Tem Que Pagar

A lei brasileira é clara: quando você é cliente de um banco, vocês têm uma relação de consumo. Isso significa que o Código de Defesa do Consumidor se aplica, e uma das principais regras desse código é que o banco tem "responsabilidade objetiva". Em palavras simples, isso quer dizer que se algo der errado com o serviço do banco, ele tem que pagar pelos danos, mesmo que não tenha feito nada de propósito para prejudicar você.

 

O Superior Tribunal de Justiça, que é o tribunal mais importante do país para questões como essa, já decidiu várias vezes que fraudes bancárias são "risco do negócio". Ou seja, quando o banco oferece serviços digitais e ganha dinheiro com isso, ele também assume o risco de que criminosos tentem atacar esses sistemas. Se o ataque der certo, o prejuízo não pode ser jogado nas costas do cliente.

 

Existe até uma súmula (que é como uma regra oficial dos tribunais) que diz exatamente isso: "As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias." Traduzindo: se alguém roubou dinheiro da sua conta bancária, o banco tem que devolver.

 

O Banco Tem Obrigação de Proteger Você

Além de ter que pagar quando algo der errado, o banco também tem a obrigação de evitar que essas fraudes aconteçam. Eles não podem simplesmente oferecer um aplicativo e lavar as mãos se criminosos conseguirem usá-lo para roubar dinheiro dos clientes.

 

Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça deixou isso ainda mais claro: os bancos têm o dever de identificar e impedir transações que não batem com o perfil do cliente. Se você normalmente movimenta R$ 1.000 por mês e de repente aparecem transferências de R$ 50.000, isso deveria acender um sinal vermelho no sistema do banco.

 

No caso que mencionamos no início, essa falha foi gritante. Um aposentado que recebia pouco mais de R$ 2.000 de aposentadoria, de repente fazendo operações milionárias? Qualquer sistema minimamente eficiente deveria ter bloqueado essas transações e ligado para o cliente para confirmar se era ele mesmo fazendo aquilo.

 

Idosos Têm Proteção Especial

Se você tem mais de 60 anos, a lei te protege ainda mais. O Estatuto da Pessoa Idosa garante que pessoas da terceira idade são consideradas "hipervulneráveis" - ou seja, precisam de proteção extra. Isso acontece porque muitos idosos não cresceram com a tecnologia e podem ter mais dificuldade para identificar golpes sofisticados.

 

Os tribunais levam isso muito a sério. Quando a vítima de uma fraude bancária é uma pessoa idosa, fica ainda mais difícil para o banco tentar jogar a culpa no cliente. A lei entende que é injusto esperar que um idoso tenha a mesma habilidade de um jovem para lidar com armadilhas digitais.

 

O Que Você Pode Fazer

Se você foi vítima de uma fraude bancária, não aceite um "não" do banco como resposta final. Você tem direitos e pode buscar a Justiça para recuperar seu dinheiro. Normalmente, você pode pedir:

 

Devolução do dinheiro roubado: Todo o valor que saiu indevidamente da sua conta deve ser devolvido, com correção monetária e juros.

 

Cancelamento de empréstimos fraudulentos: Se os criminosos contrataram empréstimos em seu nome, esses contratos devem ser cancelados e você não deve nada.

 

Indenização por danos morais: Além do dinheiro roubado, você pode pedir uma indenização pelo sofrimento, pela angústia e pelo transtorno que a situação causou.

 

Prioridade se você for idoso: Pessoas com mais de 60 anos têm direito à tramitação prioritária do processo na Justiça.

 


Como o Banco Tenta Se Defender

É comum os bancos tentarem jogar a culpa no cliente, dizendo que a pessoa "foi negligente" ou "facilitou o golpe". Mas essa defesa raramente funciona nos tribunais, especialmente quando fica claro que o banco falhou em seus deveres de segurança.

 

Para o banco conseguir se livrar da responsabilidade, ele teria que provar que a culpa foi totalmente sua, sem nenhuma falha do sistema bancário. Isso é muito difícil de acontecer, porque quase sempre há alguma falha de segurança que permitiu que a fraude se concretizasse.

 

Conclusão

A tecnologia trouxe muitas facilidades para nossas vidas, mas também criou novos riscos. A boa notícia é que a lei brasileira protege os consumidores, especialmente os mais vulneráveis como os idosos. Se você foi vítima de uma fraude bancária, não desista. O banco tem sim a obrigação de proteger seu dinheiro e, se falhou nessa obrigação, deve arcar com as consequências.

 

Lembre-se: você não está sozinho nessa luta. A Justiça brasileira tem sido cada vez mais rigorosa com os bancos, exigindo que eles invistam em segurança e respondam pelos danos quando essa segurança falha. Seus direitos existem e podem ser exercidos.

 

 
 
 

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